shadow

Divido um interessante artigo escrito por Pedro Borges e publicado no GEJUR para reflexão com alguns comentários meus.

O assunto é muito relevante, uma vez que precisamos aprender a posicionar o departamento jurídico como estratégico dentro da empresa não somente pela estratégia processual ou orientações contratuais ou mesmo de compliance: Precisamos estar conectados a realidade de mercado, e agir de forma clara e objetiva que a empresa é uma só e todos os colaboradores querem o melhor para ela e não departamentos dentro da mesma empresa agindo como se fossem empresas concorrentes brigando por espaço e mercado.

Vamos a matéria:

Cuidados dos advogados que assustam os executivos

Por mais que os advogados lutem para se integrar mais às estratégias e ao negócio da empresa, dificilmente os executivos deixarão de vê-lo como identificador de problemas. Isso não deve ser visto como um impedimento, mas algo que precisa ser considerado e tratado com atenção, do contrário o arquétipo ultrapassado do advogado fala mais alto e mais uma vez um abismo pode separar o departamento legal do resto da companhia.

Vamos supor que, num encontro informal, dois profissionais de outras áreas chamam um colega do departamento jurídico para perguntar se uma determinada prática seria irregular. Como muitos advogados fazem, mesmo sem mais informações sobre o assunto, o colega levanta algumas hipóteses sobre os possíveis problemas que podem surgir. No dia seguinte, o advogado é interpelado formalmente sobre as razões do seu aconselhamento que interrompeu uma das operações da empresa. Ou seja, mesmo sem a intenção de criar impedimentos, as deliberações que os advogados são tão acostumados foram vistas como um veto e o aconselhamento de suspensão da prática.

Muitos profissionais legais não percebem a forma como são vistos pelas outras áreas e ficam chocados quando descobrem o poder de seus comentários, mesmo feitos de brincadeira. Por não compreenderem (e nem buscarem entender minimamente) a extensão das leis e suas consequências, muitos depositam cegamente nos advogados uma responsabilidade que o bom profissional precisa saber lidar, especialmente se deseja ser bem-vindo nos outros departamentos.

Se não foi compreendido, a culpa é sua

Assim como não adianta utilizar termos técnicos a um interlocutor leigo, até mesmo a escolha da linha de raciocínio para a conversa pode afastar aqueles que lhe depositam confiança para tratar dos assuntos que não conhecem. No exemplo citado acima, quando os dois profissionais trouxeram o caso para o colega advogado considerar, as hipóteses levantadas imediatamente foram compreendidas como consequências altamente prováveis, mesmo que tenha destacado que eram apenas possibilidades.

Outra forma de aproximação errada no meio corporativo é tratar um colega como um igual. Não se trata de ser superior ou inferior, mas ele não é seu amigo e provavelmente a realidade que vive não é exatamente parecida com a sua. Essa intimidade tão comum do brasileiro pode derrubar barreiras e etapas numa aproximação no campo pessoal, mas no profissional costuma ser desastrosa. De volta ao exemplo, o advogado optou por tratar de um assunto como geralmente faria com outros advogados, e talvez até com outras pessoas fora do escritório. No entanto, dentro da empresa ele é um indivíduo com “suposto saber” e deve ser tratado com formalidade quando trata de assuntos profissionais, mesmo em momentos informais como numa saída para o almoço.

Realidade é percepção, portanto o bom profissional não deve tomar cuidado apenas com o que diz, mas especialmente com o que é absorvido por aqueles que o ouvem. Quando um colega consultado é a maior referência presente sobre legislação, qualquer comentário negativo oferecido por ele a uma determinada prática pode ser visto como restrição. Para evitar que problemas assim surjam, deve-se pensar na melhor forma do interlocutor entender o que quer que tenha a dizer.

Tente aprender o idioma do departamento que deseja se aproximar

Contadores trabalham com ativos e passivos, profissionais de RH pensam na gestão do capital humano e executivos pensam em lucros e prejuízos. No caso deste último, pode não adiantar saber que mais processos foram vencidos em juízo se a empresa perdeu mais dinheiro que antes nos acordos e ações perdidas.

Cada departamento possui uma preocupação própria que irá nortear todas as suas atividades dentro da companhia, e ao final de qualquer reunião, será nessa preocupação que vai retornar. Com isso em mente, sempre que for consultado, pense nas implicações do departamento solicitante antes de se posicionar, pois qualquer que seja a resposta do advogado, ela teria implicações distintas se a pergunta tivesse vindo de outra área. O que nos leva ao nirvana da atuação profissional, que é quando se pensa nas diferentes implicações de cada área quando se toma qualquer postura dentro da empresa.

A dificuldade de se colocar na posição do outro é um dos maiores entraves para a maior integração entre os diferentes departamentos de uma companhia. Faça um teste: deixe claro seu esforço para entender a posição de seus solicitantes. Com o tempo e tentativas reais nesse sentido, cada vez existirão menos barreiras e menores serão as chances de ser mal compreendido nas suas relações profissionais a médio-longo prazo. Sempre existirão assuntos que não devem sair do departamento jurídico, às vezes nem sempre por uma questão de blindagem de riscos, mas porque os outros podem tentar “ler” de diversas formas o que for comunicado e por isso pode ser que o assunto seja pensado longamente antes de se expor qualquer posicionamento.

Fonte: http://www.intelijur.com.br/gejur/noticias/materias/cuidados-dos-advogados-que-assustam-os-executivos

 

Você concorda com o posicionamento?

E como você se vê nesta seara?

Na minha experiência, o colocado no artigo é uma realidade inegável que precisamos enfrentar: Parar de usar jurisdiquês, deixar de lado a formalidade quando não é necessário (leia-se de gravata, terno, etc, até a palavras difíceis e posições que demonstrem que apenas o advogado que conhece do assunto), entre outras atitudes.

Dentro da empresa somos todos colegas e todos queremos o mesmo objetivo: Que a empresa prospere.

Cada um no seu papel e o papel do jurídico é ser estratégico, ser um diferencial nos momentos de gestão, organização e tecnologia, inclusive.

E, sendo assim, cabe pensar: Como estou e como quero estar na empresa que trabalho?

#FicaaReflexão

____________________________________________________
Pensamentos escritos por Gustavo Rocha
Consultoria Gustavo Rocha.com – Gestão, Tecnologia e Marketing Estratégicos
(51) 98163.3333  |  gustavo@gustavorocha.com  | http://www.gustavorocha.com

Publicidade

shadow

Artigos Relacionaods



Deixe uma resposta